terça-feira, novembro 08, 2005

Uma grande VERDADE

Alegre acusa Soares de nunca ter promovido renovação (act.)

O candidato presidencial Manuel Alegre acusou na segunda-feira o seu adversário na corrida a Belém Mário Soares de nunca ter contribuído para promover a renovação dos protagonistas políticos porque «gosta de estar sempre lá», no palco político.

«Mário Soares deveria ser um encorajador da renovação da vida política, eu disse-lhe isso várias vezes. Ele tinha a obrigação, sendo um republicano, de o fazer. Mas acho que nunca fez nada nesse sentido», declarou Manuel Alegre, em entrevista à TVI.
«O dr.Mário Soares gosta de estar sempre lá», acrescentou o dirigente do PS, numa entrevista em directo no Jornal Nacional daquela estação televisiva, conduzida pela jornalista Constança Cunha e Sá, que durou cerca de 45 minutos.
Manuel Alegre considerou que todos, incluindo os socialistas que não se quiseram candidatar às presidenciais de 2006, têm responsabilidades pela ausência de renovação da classe política, mas que Mário Soares é particularmente responsável.
A entrevista centrou-se nas suas relações com Mário Soares e o PS e na sua decisão de se candidatar a Belém, tendo Manuel Alegre assegurado que o ex-Presidente da República e fundador do partido não é o seu adversário.
No entanto, em seguida, Alegre disse que «não é um crime de lesa-majestade uma pessoa ousar candidatar-se e derrotar o dr. Mário Soares», ao sustentar que veio «estragar a festa» de quem pretendia que estas presidenciais fossem um frente-a-frente entre Soares e Cavaco Silva.
Manuel Alegre recusou falar em «traição» de Mário Soares em relação a si, revelou que a candidatura presidencial do fundador do PS não o surpreendeu e que só teve vontade de ser também candidato semanas depois, «de um momento para o outro».
«Só senti verdadeiramente vontade, impulso e alegria de me candidatar depois de o PS se ter pronunciado a favor do apoio à candidatura de Mário Soares», afirmou, adiantando que quando o partido o sondou sobre essa possibilidade estava hesitante.
«Estávamos à espera uns dos outros, porque eu nunca tinha decidido candidatar-me. Houve conversas, porque ninguém se queria candidatar. Eu não tinha esse problema resolvido dentro de mim, não tinha aquele impulso», explicou.
O dirigente socialista salientou que falou «várias vezes, a dois e com várias pessoas presentes», com o secretário-geral do PS, José Sócrates, mas que nunca houve «um acordo formal» sobre as presidenciais.
«A certa altura ele tinha isso resolvido em relação a mim mais do que eu», afirmou, acrescentando que, mais tarde, os «muitos apoios» que recebeu o levaram a ter «vontade» de ser candidato.
Sobre a atitude de Mário Soares para consigo, Alegre disse que este «nunca teve nenhuma palavra» a informá-lo da intenção de ser candidato, mas recusou falar em «traição».
«Eu nunca disse essa palavra, é uma palavra muito carregada. Traição é uma coisa terrível», declarou.
Alegre disse depois que se tivesse sido candidato com o apoio do PS «não seria com a mesma alegria, apesar de evidentemente ser preferível do ponto de vista prático ter um aparelho partidário por trás», considerando «muito mais bonito ter uma rede de cidadãos e de cidadãs» a apoiá-lo.
Sobre Cavaco Silva, o vice-presidente da Assembleia da República sustentou que este tem «mais vocação de governante» e que, se (Cavaco) for eleito Presidente da República, terá a tentação de «tentar governar».
O dirigente socialista referiu-se ao candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP também como «um homem crispado e que tende a crispar a vida política».
Disse ainda que Cavaco Silva é «muito convencido de que os problemas são só técnicos, tecnocratas, só de finanças».
«Não quer dizer que ele vá ser um ditador, que vá destruir a democracia», ressalvou, contudo, Manuel Alegre, considerando que os candidatos a Belém «são todos democratas».
«Não ganhamos nada em diabolizar os outros. Acho que as coisas mudaram e que as pessoas se cansaram dessa diabolização», observou, numa demarcação de Mário Soares.
Questionado sobre o Orçamento do Estado para 2006, Alegre adiou para sexta-feira, dia da votação na generalidade, a revelação do seu sentido de voto, mas considerou que a proposta do Governo «tem aspectos positivos».
Quanto à utilização da palavra «pátria» e dos símbolos nacionais na sua campanha, o dirigente do PS enalteceu esse «sentimento de pertença», defendendo que este «não é um exclusivo da direita».
«O dr. Cunhal dizia muitas vezes a palavra pátria. No sentido patriótico, é um bom exemplo», apontou.
Diário Digital / Lusa

1 Comments:

At 6:06 da tarde, Blogger Geosapiens said...

...são verdades...mas a dignidade faz-se sem estes ataques...um abraço...

 

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